Corrida ao Planalto
Aécio e Dilma trocam farpas em último debate antes do 2º turno
Na
discussão, estiveram temas como a reportagem publicada nesta sexta pela
Veja, financiamento do porto de Cuba, inflação e nível de emprego
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| Último debate entre Aécio Neves e Dilma Rousseff foi marcado por ataques dos dois candidatos
Foto:
Ricardo Duarte / Agencia RBS |
Diante de milhões de espectadores, os candidatos à Presidência da
República travaram nesta sexta, nos estúdios da TV Globo, no Rio, o
último e decisivo confronto antes da votação de domingo. Frente a
frente,
Dilma Rousseff (PT) e
Aécio Neves
(PSDB) dividiram o palco em forma de arena e partiram para o tudo ou
nada. Voltaram a se atacar, com direito a tiradas irônicas e a lapsos de
nervosismo.
A tensão esteve presente do início ao fim, amplificada pelas
pesquisas divulgadas nos últimos dias
e pela radicalização das posições políticas nas redes sociais e nas
ruas. Quando posaram para fotógrafos antes do início do programa, ambos
trocaram cumprimentos constrangidos. Repetiram o gesto a pedido dos
profissionais sem muita convicção. E foi só. Mal se olharam.
Nem
a presença de 70 eleitores indecisos, selecionados pelo Ibope para
fazer perguntas, amenizou o clima de guerra. O tom agressivo ficou claro
já na primeira questão, elaborada pelo ex-governador de Minas.
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Sem
desviar os olhos da adversária, Aécio afirmou que a atual campanha
entrará para a história “como a mais sórdida já feita” e acusou o PT de
atacá-lo. Depois, citou a revista
Veja desta semana,
que traz uma reportagem com declarações atribuídas ao doleiro Alberto
Youssef contra Dilma e o ex-presidente Lula. Conforme a revista, cuja
publicação foi antecipada em um dia, os dois teriam conhecimento dos
supostos desvios ocorridos na Petrobras.
Visivelmente irritada, a petista
rebateu com firmeza.
Acusou o periódico de fazer oposição sistemática a seu governo e
sugeriu que uma tentativa de “golpe eleitoral” estaria em curso.
—
O povo não é bobo, candidato. O povo sabe que está sendo manipulada
essa informação, porque não foi apresentada nenhuma prova. Eu irei à
Justiça para me defender — disse Dilma.
Aécio retrucou lembrando
que, quando alguém opta pela delação premiada, como fez Yousseff, sabe
que só terá benefícios “se apresentar provas”.
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A
corrupção voltou ao centro da discussão em vários outros momentos, em
diferentes perguntas. Um deles ocorreu quando a assistente de compras
Adriana Pereira dos Santos, 40 anos, quis saber o que os concorrentes
planejam para acabar com os desvios de verbas públicas. Adriana era uma
das eleitoras presentes sem voto definido.
Caminhando no
cenário, Dilma reconheceu que “a lei é branda”. Em seguida, enumerou
cinco medidas de combate à impunidade que pretende adotar se for
reeleita e disse ter orgulho da autonomia da Polícia Federal.
Na
réplica, Aécio criticou a rival por não ter colocado as ações em
prática antes e concluiu sua fala com uma frase que arrancou aplausos
dos apoiadores – e protestos do mediador William Bonner.
— Adriana,
existe uma medida para acabar com a corrupção: vamos tirar o PT do
governo — afirmou o mineiro, virando as costas para Dilma.
A
candidata reagiu, afirmando que “quem fala é o representante do partido
que tinha a prática de engavetar tudo quanto era investigação”.
— Isso levou o Brasil a ter um conjunto de julgamentos que ninguém nunca viu, nem deu fé — concluiu Dilma.
Nos
bastidores, o burburinho tomou conta da sala de imprensa, onde mais de
uma centena de jornalistas acompanhava o programa. Foram duas horas de
embate sem trégua. O único momento de descontração ocorreu quando Dilma
se atrapalhou ao conversar com um eleitor indeciso e o chamou de
candidato. Os jornalistas caíram na gargalhada.
Postador:Manancial de Carajás