Sócio do contraventor Carlinhos Cachoeira e do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), o empresário Marcelo Henrique Limírio doou R$ 300 mil para o Comitê Financeiro Único do PSDB no Tocantins, partido do governador Siqueira Campos, conforme revelou consulta feita pelo CT ao site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A pesquisa informou ainda que o depósito da doação foi feito em dinheiro no dia 29 de outubro, ou seja, após as eleições de 2010.
A revista IstoÉ desta semana traz reportagem que aponta ligações do Limírio com o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o senador Demóstenes, que estão sendo investigados pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. O esquema de Cachoeira é suspeito de crimes como contrabando, exploração de jogos de azar, corrupção e lavagem de dinheiro.
Conforme a IstoÉ, as investigações da PF apontaram que Limírio é sócio de Cachoeira no Instituto de Ciências Farmacêuticas (ICF), que produz testes laboratoriais e faturou R$ 10 milhões em 2010. A revista ainda informou que o empresário ainda é sócio do senador Demóstenes Torres no Instituto de Nova Educação, faculdade criada em Contagem (MG).
A revista ainda publicou que Cachoeira criou o laboratório Vitapan, com sede em Anápolis (GO), que foi uma espécie de cartão de visitas do bicheiro para se infiltrar em governos estaduais e municipais. Hoje, de acordo com a IstoÉ, a empresa está avaliada em R$ 100 milhões, tem convênios até com a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e está associada a outros grandes do setor, como a Neo Química, que está nas mãos do grupo Hypermarcas, do empresário Marcelo Henrique Limírio, e o laboratório Teuto Brasileiro.
A IstoÉ informou ainda que obteve a íntegra do inquérito da Operação Monte Carlo, que resultou na prisão do bicheiro. Conforme a revista, são quase 15 mil páginas, reunidas em 40 volumes e duas dezenas de apensos, além de 11 mil horas de gravações, que apontam “não só as relações promíscuas do esquema do bicheiro com autoridades nos três níveis de poder como esmiúça um império de empresas criadas com a finalidade de corromper em todo o País, desviar verbas, fraudar licitações e lavar o dinheiro ilegal”.
Conforme a revista, o levantamento deixa claro que o grupo de Cachoeira age há pelo menos 16 anos e foi capaz de ultrapassar diversos governos e tonalidades partidárias. “Aqui come todo mundo, cara. Se não pagar pra todo mundo não funciona. Eu tô nisso há 16 anos!”, sintetiza Lenine Araújo de Souza, o braço direito de Cachoeira, em diálogo gravado pela Polícia Federal e reproduzido pela revista.
As doações para Siqueira
No total, as doações para a campanha de Siqueira Campos de pessoas e
empresas com supostas ligações com Cachoeira já totalizam R$ 3,8
milhões, todas ocorridas depois das eleições de 2010. O empresário
Rossine Aires Guimarães, 48 anos, apontado nas investigações da operação
Monte Carlo como uma espécie de sócio de Cahoeira, doou R$ 3 milhões,
no dia 15 de outubro de 2010, através de transferência eletrônica. A JM
Terraplenagem e Construção doou outros R$ 500 mil no dia 27 de outubro,
também por transferência eletrônica. Outra doação foi esta do empresário
Marcelo Henrique Limírio, de R$ 300 mil, no dia 28 de outubro,
depositado em espécie, segundo o site do TSE.Foto e Fonte: folhadobico Postador: manancial de carajas
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